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Saúde mental: ‘empresas dependem do bem-estar dos colaboradores’

Atualizado: Ago 24

A questão psicológica direcionou o evento do Causando Encontros, projeto da Catraca Livre e do Festival Path que conectou líderes de marcas a causas


Mesmo antes do cenário de pandemia, já crescia a necessidade de falar sobre um tema que muitas vezes fica em segundo plano: a saúde mental. O assunto perpassa todas as esferas da sociedade, principalmente na abordagem das relações entre amigos, familiares e ainda dentro do mercado de trabalho. Este último ponto também diz respeito às empresas, que devem criar um ambiente favorável para garantir a estabilidade psicológica de seus profissionais e da população como um todo.


Como a mudança de comportamento pode acontecer? A resposta para esta pergunta norteou o quinto e último evento do Causando Encontros, idealizado pela Catraca Livre e o Festival Path. Com mediação de Mariana Achutti, cofundadora e CEO da Sputnik, o encontro reuniu Fátima Mira, psicóloga clínica com foco em saúde mental, Mariana Ferrão, jornalista, fundadora e CEO da Soul.me, Maria Susana de Souza, Vice-presidente de Gente, Cultura e Sustentabilidade da RD – RaiaDrogasil e Mariângela Savóia, pesquisadora do Programa Ansiedade do IPq -HC –FMUSP.


Ritmo acelerado, competição, falta de estabilidade econômica e cobrança excessiva: tudo isso acentua a ocorrência de problemas como depressão, ansiedade, Burnout e síndrome do impostor. Como o trabalho ocupa grande parte da vida das pessoas, não há como as corporações se distanciarem dessa questão, como provoca Mariana Ferrão: “Por que até hoje esse assunto não faz parte de muitas empresas? Se a saúde mental é uma condição de bem-estar físico, psicológico e social, o mundo todo precisa entender que, quando estamos bem, ficamos mais motivados e produtivos”.


Crédito: Divulgação / Causando Encontros Maria Susana de Souza, Fátima Mira, Mariana Ferrão e Mariângela Savóia


Saúde mental é equilíbrio


A saúde mental não é a ausência do estado das chamadas doenças mentais, mas sim, um bem-estar e equilíbrio entre os diversos pontos importantes da vida de uma pessoa. Não é possível pensá-la de forma separada da saúde, segundo Fátima. “Ela ocorre quando conseguimos enfrentar as dificuldades da vida, estabelecemos consciência das habilidades que temos e nos sentimos produtivos. Pensar na saúde mental é pensar na questão relacional”, afirma.


Para Mariângela, quando o indivíduo está com a saúde emocional em dia, isso independe de ele ter ou não um transtorno mental. A pesquisadora pontua que essa problemática também pode nos afetar fisicamente, pois não há dicotomia entre corpo e mente.


No home office, em que alguns profissionais começam às 8h e terminam às 22h, o emprego veio para dentro de casa e eles estão trabalhando mais do que deveriam e de maneira desorganizada. “É preciso existir um equilíbrio entre trabalho, lazer e relacionamentos com amigos e familiares, mesmo nesse confinamento.”


Mira ressalta que o estresse surge e desencadeia problemas físicos porque não conseguimos dar conta da quantidade de demanda que temos no dia. “É como se pegássemos as nossas 24 horas e dividíssemos de acordo com a quantidade de coisas que temos para fazer. O correto é o oposto: temos 24 horas, o que é possível realizar neste período?”, provoca.


A dificuldade de desacelerar existe, pois sempre parece que o indivíduo estará perdendo alguma coisa se ficar “parado”. “Produtividade não é sinônimo de entrega em relação à demanda de trabalho. Ser produtivo é ter momentos de trabalho, de lazer, com a família e também de não fazer nada. A gente tem que começar a dizer não. Isso é um processo de aprendizagem”, completa a psicóloga.


Ambiente de bem-estar nas empresas


Mariana Ferrão inclui um ponto essencial na relação entre a saúde mental e as marcas: “Quem faz as corporações? São as pessoas. Se a gente não tiver a equipe para exercer os valores e construir a cultura, não temos organização. As empresas dependem da qualidade de vida de seus colaboradores”. “Quem já trabalhou em um ambiente toxico ou que tem algum tipo de transtorno mental, sabe o quanto isso é prejudicial para o todo”, reflete.


Assista: Mariana Ferrão entrevista Dr Rodrigo Bressan


Maria Susana vive o dia a dia da RaiaDrogasil, que tem o cuidado com a saúde dos colaboradores como um de seus pilares fundamentais. “Nos últimos anos, a sociedade demandou novos desafios por parte das organizações, famílias e escolas, uma vez que o mundo mudou. Nós, na RD, construímos uma jornada que sai do código de quem olha para a doença, para uma empresa que quer promover a saúde”, conta. “Olhamos para a saúde em cinco dimensões: física, mental, social, espiritual e do planeta.”


Nesse sentido, ela coloca em evidência o propósito desafiador da RaiaDrogasil. “Nós existimos porque somos uma organização que quer cuidar das pessoas em todos os momentos da vida. Temos 40 milhões de clientes e 42 mil funcionários. Cuidar passa por todas as dimensões”, afirma. Para isso, a marca promove outras ações, como o aporte financeiro a hospitais e a implementação de um fundo para doações em situação de calamidade, como a pandemia.


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No caso dos líderes, eles têm um papel de disseminadores de uma cultura benéfica a toda a empresa, olhando para as condições de trabalho e suporte em diferentes planos. Para Fátima Mira, um bom líder é aquele que acompanha sua equipe e é capaz de identificar sinais diários de estresse e que podem desencadear problemas mais graves.

Ao mesmo tempo, é necessário que o colaborador busque um processo de autoconhecimento para listar as prioridades e se comunicar com os gestores de forma estratégica.


Causando Encontros


A saúde mental foi a temática do último evento do projeto Causando Encontros, promovido pela Catraca Livre e o Festival Path para conectar líderes de empresas a protagonistas de lutas por diferentes causas da sociedade. Nos quatro encontros anteriores, as conversas tiveram como foco o racismo estrutural, a preservação ambiental, a geração de renda e o combate à violência doméstica.


O Instituto Ame Sua Mente incentiva conversas mais abertas sobre o tema da saúde mental. Uma em cada quatro pessoas experimenta problemas de saúde mental e falar sobre o assunto ajuda a quebrar o estigma e a discriminação que muitas pessoas ainda enfrentam - facilitando que todos se beneficiem do apoio das pessoas ao seu redor. Cuide da sua saúde mental e cuide dos seus.


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