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Sabia que existe pronto-socorro para saúde mental?

Atualizado: Ago 24



Quando sofremos um acidente ou sentimos um mal súbito, saímos correndo em direção ao hospital mais próximo. Mas se nossas emoções entram em colapso, não temos a mesma pressa. Esperamos que o tempo dê um jeito nos sofrimentos, por mais intensos que eles sejam. Afinal, é difícil acreditar que algo que não é detectado em exames pode ser tão grave ao ponto de precisar de um socorro imediato. Esse é um grande erro, já que os males psíquicos, dependendo da intensidade e quando não são tratados, podem até ser fatais.


É por isso que existem os prontos-socorros psiquiátricos, que podem ser especializados ou funcionar em hospitais gerais. São eles que devemos procurar em casos de urgência e emergência emocional. "São situações dentro dos transtornos mentais que configuram um risco grande à vida da pessoa", sintetiza Elson Asevedo, psiquiatra, diretor clínico do CAISM (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental Vila Mariana), gerido pelo departamento de psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) em entrevista para Sibele Oliveira para o Viva Bem.


Mas como saber exatamente o que é urgência e emergência? Na verdade, ambas são parecidas. A diferença é que na urgência há um tempo um pouco maior para o paciente ser socorrido, enquanto que na emergência o atendimento precisa ser imediato. Para ficar mais claro, vamos imaginar uma pessoa prestes a pular de uma ponte, se automutilando ou tendo uma crise incontrolável de agressividade. São casos em que não se pode esperar nenhum minuto. Ao passo que uma ansiedade aguda também é grave, porém os riscos são menores.


Os prontos-socorros psiquiátricos especializados costumam ficar próximos de hospitais gerais, uma vez que o paciente pode precisar da avaliação de outros especialistas como um neurologista ou um cardiologista, por exemplo. Além da necessidade de realizar exames clínicos não disponíveis ali. Cabe ao psiquiatra identificar se a urgência ou emergência é mesmo psiquiátrica. Segundo Asevedo, é comum confundir os sintomas um infarto, um AVC ou com uma infecção como a meningite com os sinais de um transtorno mental.


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Quando procurar atendimento

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, é importante ficarmos ainda mais atentos ao que as nossas emoções estão nos dizendo, pois muitas pessoas não estão conseguindo lidar com o sofrimento causado por ela. O medo, a angústia, a desesperança, a mudança de rotina e o isolamento social são fatores de risco para transtornos mentais. Ou seja, acabam funcionando como gatilhos para fobias, síndrome do pânico, crises de ansiedade, estresse e depressão e uma infinidade de males que têm tomado conta de muitos de nós nesses últimos meses —e já eram frequentes antes disso também.


"Temos visto três grupos de pessoas no pronto-socorro: as que já tinham um problema psiquiátrico e estão piorando nesse momento. Outras que nunca tiveram nada e tinham até uma capacidade de enfrentamento bacana, só que por conta dessa situação estão abusando de remédios, tentando o suicídio e tendo crises de pânico intensas. E as que descompensaram e tiveram uma piora na ansiedade", observa Marcel Vella Nunes, psiquiatra do Hospital Santa Mônica, que recebe pacientes encaminhados para internação.


Por serem situações que facilmente podem sair do controle, não devemos praticar aquele velho hábito de "deixar para depois". Negar um sofrimento profundo pode ter graves consequências, assim como achar que ele vai passar sem ajuda. "O sofrimento psíquico é algo da vivência interna da pessoa. É difícil de mensurar e na maioria das vezes é subestimado", analisa Nunes. Mesmo que pareça abstrato sabermos até que ponto aguentamos o tranco, ele diz que não temos que passar por isso sozinhos. E que admitir que precisamos de ajuda não é uma demonstração de fraqueza.


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Os impactos da pandemia sobre a saúde mental estão sendo observados principalmente nos mais velhos. "O número de atendimentos como um todo diminuiu porque as pessoas que buscavam o pronto-socorro por causas não emergenciais passaram a procurar menos. Mas houve um aumento nos quadros graves em idosos. Normalmente a gente tem uns 20% de idosos, mas nesse último mês chegamos a ter 40% dos pacientes da observação sendo idosos", diz Asevedo.


Não é só agora que os idosos estão sendo atendidos em grande número nos prontos-socorros psiquiátricos. Antes da pandemia eles já representavam uma boa parte dos pacientes. Mas também havia outros perfis. "Normalmente homens, entre 20 e 40 anos, com diagnóstico de transtornos mentais como esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno de personalidade ou um quadro de dependência de álcool ou de drogas. Outro perfil é o de crises suicidas. Pode acontecer em homens, mas as tentativas de suicido são mais frequentes em mulheres entre 20 e 40 anos", detalha Asevedo.


Não espere Para saber se é o momento de procurar ajuda, Nunes dá uma dica. "A principal via da busca de ajuda é a da dúvida. Se a pessoa está com alguma dúvida, deve procurar atendimento. Se com um sofrimento muito intenso, não tem uma rede de apoio, não tem com quem compartilhar, dividir as angústias e dificuldades, precisa passar por uma avaliação". O desespero é outro termômetro. Quando ele é tão grande que você nem tem vontade de comer, fica agitado andando de um lado para outro, não consegue raciocinar direito, tem alucinações ou tem uma depressão tão forte que pensa que vai morrer.

Conheça os guias de saúde mental

Pode acontecer de você chegar ao hospital e ouvir do médico que não é nada grave. Ou que, na realidade, é um problema físico que está causando tamanho desconforto emocional. Algo simples de ser tratado. Mas há situações em que a intervenção médica precisa ser imediata. O saldo dessa pandemia já está aparecendo nos prontos-socorros psiquiátricos. De acordo com Nunes, há um aumento expressivo de diagnósticos de depressão e estresse pós-traumático. Isso serve de alerta para nós. Todo cuidado é pouco quando é a saúde mental que está em jogo.


Onde encontrar essa ajuda? Infelizmente são poucos os pronto-socorros psiquiátricos no Brasil. Para localizar um perto de você, uma ideia é buscar por hospitais psiquiátricos na sua região e ligar para saber se eles possuem um atendimento de emergência —se não for o caso, eles mesmos podem te indicar outro lugar. Caso você tenha convênio médico, também pode buscar na sua rede credenciada pelo site da seguradora. Cidades maiores e capitais têm mais chance de ter esse tipo de atendimento do que cidades menores. O Instituto Ame Sua Mente incentiva conversas mais abertas sobre o tema da saúde mental. Uma em cada quatro pessoas experimenta problemas de saúde mental e falar sobre o assunto ajuda a quebrar o estigma e a discriminação que muitas pessoas ainda enfrentam - facilitando que todos se beneficiem do apoio das pessoas ao seu redor. Cuide da sua saúde mental e cuide dos seus.


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