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Saúde mental nas Olimpíadas: está tudo bem não estar bem

A cada quatro anos, os olhos do mundo inteiro se voltam para o esporte. Afinal, é tempo de Olimpíadas e todos querem ver os atletas conquistando o topo do pódio. Porém, em Tóquio, mais do que os limites físicos, os limites mentais ganharam destaque. Depois de se retirar dos jogos, a ginasta Simone Biles nos mostra que, assim como a saúde do corpo, a saúde da mente também é fundamental nas Olimpíadas.


Ao mostrar sua vulnerabilidade para o mundo, a atleta norte-americana abriu espaço para uma discussão importante dentro e fora do universo esportivo: dar um passo atrás quando não estamos bem é necessário. O que poderia ter sido interpretado como um ato de fraqueza da atleta, teve uma repercussão completamente diferente. Muitos encararam a atitude da ginasta como um ato de coragem que acabou despertando empatia. Até porque, em tempos de pandemia, crises de ansiedade, burnout, depressão e outros transtornos mentais se tornaram mais conhecidos e próximos da nossa realidade.


Atletas de alto rendimento são submetidos a uma grande carga de pressão física e psicológica. Porém, mesmo com os treinos habituais, o corpo e a mente têm seus limites. Assim como o excesso de exercícios físicos pode causar lesões sérias, o estresse e a pressão constantes também podem gerar danos tão ou mais perigosos para o atleta. E esses jogos vêm reforçando que é preciso mudar essa imagem de que o atleta é um super-humano imbatível.


Saúde mental X atletas de elite

A saúde mental ganhou destaque com a pandemia, mas este tema não é novo, mesmo no mundo dos esportes. O artigo “Saúde Mental em atletas de elite: Jogos Olímpicos Internacionais - declaração de consenso do comitê”, de 2019, aponta que os transtornos mentais são bastante comuns em atletas de elite e podem prejudicar o seu desempenho. O artigo conclui que a saúde física e mental devem caminhar juntas em prol dos resultados. Por isso é essencial investir não apenas no condicionamento físico, como também trabalhar as questões psicológicas que envolvem cada atleta.


Embora a importância da saúde mental nas Olimpíadas esteja em evidência, histórias envolvendo superação física e traumas não são raras no esporte. Documentários como 'Weight of Gold' e 'Atleta A' mostram como a pressão e o estresse excessivo fazem parte da rotina dos atletas. Mas devagar esse cenário está mudando. Prova disso é que além de dar mais atenção ao equilíbrio emocional do atleta, atualmente, as comissões técnicas contam com psicólogos dos esporte antes e durante os jogos. Esses profissionais atuam especificamente no suporte dos atletas e também auxiliam na identificação de transtornos mais sérios que merecem acompanhamento específico.


Está tudo bem não estar tudo bem

Simone Biles tem apenas 24 anos, mas é uma referência na ginástica olímpica mundial. Com mais de 30 medalhas conquistadas entre mundiais e Olimpíadas, a ginasta certamente era uma das favoritas em Tóquio. No entanto, na última terça-feira (27.07), ela pediu para deixar a competição.“Acho que a saúde mental é mais importante nos esportes nesse momento. Temos que proteger nossas mentes e nossos corpos, e não apenas sair e fazer o que o mundo quer que façamos…”, disse em uma coletiva de imprensa. Nas palavras da atleta, a saúde mental não deve ser deixada de lado em favor dos resultados “Não somos apenas atletas. No fim das contas, somos pessoas e às vezes temos que dar um passo para trás. Sim, e acredito que falar, dizer tudo, ajuda. Estamos em algo tão grande, são os Jogos Olímpicos, e se você não estiver 100% ou 120%, no fim do dia tem de ser retirado de maca, porque acabará prejudicando a si mesma.”, afirma.


O caso de Simone não é algo isolado. Recentemente, a tenista Naomi Osaka deixou de competir em Roland Garros e Wimbledon também por questões de saúde mental. A tenista alegou que vinha sofrendo com crises de ansiedade e depressão e, por isso, decidiu dar um tempo. No entanto, a atleta foi bastante criticada na época e chegou a ser penalizada pela organização do torneio.


Não foram apenas os atletas que evidenciam a saúde mental em Tóquio. Yayoi Kusama, artista japonesa diagnosticada com esquizofrenia, foi uma das homenageadas na cerimônia de abertura. Segundo a Comissão, assim como os atletas enfrentam obstáculos para participar dos jogos, a artista sofreu inúmeros desafios para lidar com a sua doença e mesmo assim ser uma artista mundialmente reconhecida.


O equilíbrio do corpo e da mente não são temas novos no Oriente. Porém, tratar as questões de saúde mental com menos preconceito, ao que tudo indica, são chamas que começam a se acender em Tóquio. Esperamos que, assim como o fogo olímpico, esses temas não se apaguem, para que mais pessoas possam dar um passo atrás sempre que for preciso.


Gostou de saber mais sobre saúde mental nas Olimpíadas? Veja também como a meditação e o mindfullness são técnicas que auxiliam no equilíbrio e na prevenção de inúmeros transtornos.

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