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Racismo faz mal à saúde mental, mas falar sobre ele é forma de prevenção


Foto: Manifestantes seguram faixa que diz ‘Vidas negras importam!’ contra o racismo, em SP no dia 14/6 (AFP)


O Brasil ocupa topo do ranking no número de casos de depressão na América Latina, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), com cerca de 12 milhões de pessoas afetadas pela doença. Ainda de acordo com a OMS, a ansiedade é outro transtorno que acomete 18,6 milhões de brasileiros.


Na faixa etária de 10 a 29 anos, o índice de transtornos mentais também é preocupante, especialmente entre jovens negros: estes chegam a ter 45% mais chances de desenvolver depressão que um jovem branco. Por isso, precisamos falar sobre a saúde mental da população negra. Falar sobre raça nos ajuda a entender como pretos e brancos são percebidos no Brasil e, consequentemente, de que maneira são tratados. Na década de 1990, o jornal Folha de S.Paulo conduziu uma pesquisa em que perguntava aos seus participantes: "Você conhece alguma pessoa racista?". 90% das pessoas responderam que "sim", mas quando questionadas se eram racistas, este número surpreendentemente caiu para zero.


Essa pesquisa demonstrou que o reconhecimento do racismo como um problema social parece não produzir efeitos no mundo real. Segundo o professor e antropólogo Kabengele Munanga, o racismo é o crime perfeito: produz vítimas, mas não existem autores. Porém, suas consequências na vida de pessoas negras são palpáveis e devastadoras. O racismo é tão perverso que impede a construção saudável de si e de uma autoimagem fortalecida.


O imaginário racial que inferioriza pessoas negras foi moldado desde o período escravagista. É importante pensar que são repercussões psíquicas que vêm desde o sistema escravocrata, com a desumanização do povo africano acompanhado de uma ideologia de dominação racial. Essa ideologia valoriza positivamente a incorporação de aspectos culturais e discursos construídos pela sociedade branca e desqualifica a herança cultural de origem africana.


Uma questão fundamental quando se discute a pauta racial é o entendimento equivocado de que só têm raça os sujeitos não-brancos. Isso significa que pessoas brancas são tomadas como premissa universalizante, ou seja, aquilo que é entendido como o "normal" e referência para o restante da população.


A naturalização dos lugares subalternos para pessoas negras ainda é uma realidade. Segundo o Instituto Ethos, apenas 10% dos cargos de chefia são ocupados por pessoas negras no Brasil. Um dos elementos que impedem a ascensão delas é o racismo institucional.


Dentro das discussões raciais da atualidade, uma máxima tem sido cada vez mais disseminada: "Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista". Isso significa que, para entender e se posicionar acerca da pauta racial, é preciso ir além do lugar comum; é necessário ação.


O Instituto Ame Sua Mente incentiva conversas mais abertas sobre o tema da saúde mental. Uma em cada quatro pessoas experimenta problemas de saúde mental e falar sobre o assunto ajuda a quebrar o estigma e a discriminação que muitas pessoas ainda enfrentam - facilitando que todos se beneficiem do apoio das pessoas ao seu redor. Cuide da sua saúde mental e cuide dos seus.


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Nossa equipe faz curadoria do que é publicado em nosso blog com o monitoramento de fontes confiáveis. O texto é de responsabilidade do autor. Leia aqui a matéria completa de Taísa Silveira para o ViverBem


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