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Pandemia aumentou o número de pessoas com distúrbios do sono

Atualizado: Mar 12



Insônia associada a ansiedade ou depressão, transtornos respiratórios como apneia, privação ou excesso de sono. Muitos brasileiros conviveram — ou convivem — com algum distúrbio ao dormir agravado com o confinamento por causa da covid-19. Os motivos são muitos, como a impossibilidade de encontrar os amigos, risco de contágio, a mudança de rotina com home office ou até mesmo o esgotamento no trabalho (chamado de burnout). Para entender melhor a situação, a Associação Brasileira do Sono (ABS), a Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e a USP desenvolvem um estudo para saber como está o sono da população durante a pandemia.


A ideia de saber como está o panorama no país surgiu após outro estudo apenas com profissionais de saúde. Dos mais de 4.900 entrevistados no meio de 2020, 41,4% disseram ter insônia, sendo que 13% iniciaram tratamento com remédio. Neste mais recente, entre 1.500 e 2.000 pessoas responderam ao questionário online, que pode ser acessado pelo site da ABS até fevereiro.


O resultado deve ser apresentado em março, mas a presidente da associação, a médica neurologista Andrea Bacelar, já percebeu o crescimento na procura por tratamento ao longo do último ano em sua clínica. "O Brasil já tem prevalência elevada de transtornos do sono. Antes da pandemia, 30% da população tinham apneia, 15% insônia e 50% estavam com privação (sono insuficiente). Com a pandemia, houve piora. Os especialistas do sono não dão conta de tantos", explica ela, que completa. "Estou atendendo muitos pacientes pós-covid. Pessoas que ficaram internadas e agora estão com problema de sono por causa do estresse pós-traumático. Passaram pela solidão nos hospitais, pânico, medo de morrer... Eles estão muito traumatizados, além dos problemas neurológicos decorrentes da doença".


Sem o sono adequado ou de má qualidade, as consequências são muitas. Pode haver dificuldade no aprendizado, na concentração, na memória e até na tomada de decisões. Sem falar na mudança de humor, problemas cardíacos e aumento do peso. E, em tempos de pandemia, há outro fator preocupante relacionado ao sistema imunológico.

"A grande questão é que o sono é importante para o sistema imunológico. Quando não se dorme bem, é comum apresentar resfriado ou ficar gripado. É preciso noites de sono longas e horários apropriados", avalia a vice-presidente da ABS e pesquisadora da USP, a bióloga Claudia Moreno.


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Com o isolamento e o confinamento, houve grande mudança na rotina das pessoas. Segundo a médica Andrea Bacelar, a "população atrasou o sono em média de duas horas". Ou seja, foi dormir e acordou mais tarde. E "mais de 60% deixaram de usar despertador e passaram a conhecer melhor o seu ritmo".

Ainda assim, há quem teve piora no sono. Por isso, a ABS faz recomendações para se dormir bem em tempos de covid-19: Estabelecer rotinas para o dia e para a noite, cultivar o contato consigo mesmo (escrevendo reflexões e o que está sentindo), e também manter a convivência familiar.

A equipe técnica do Instituto Ame Sua Mente preparou dicas para você se preparar para a hora de dormir e ter um descanso com qualidade:


Uma boa noite de sono é fundamental por uma série de motivos, como, por exemplo, a restituição das nossas energias e o fortalecimento de nosso sistema imunológico. Além disso, no contexto das rotinas, ele é o elemento chave. Por isso, faremos uma série de sugestões que o auxiliarão a dormir bem.


Para iniciar, é importante frisar que seus comportamentos, especialmente antes de dormir, podem ter um grande impacto no seu sono. Eles podem promover um sono saudável ou contribuir para a insônia. O termo "higiene do sono" refere-se a uma série de hábitos de sono saudáveis que podem melhorar sua capacidade de adormecer e permanecer dormindo. Vamos a uma série deles:


1. Durma apenas o tempo necessário para se sentir descansado. Se com 8 horas já se sente bem, evite dormir mais do que 8-9 horas, mesmo que não tenha compromisso no dia.


2. Crie uma rotina de acordar sempre no mesmo horário, independente se for fim de semana ou não e de ter tido insônia na noite anterior. Então, se o horário estabelecido for oito horas da manhã, policie-se para sempre acordar nesse horário. Você pode passar um dia sonolento, mas isso vai ajudá-lo a regular seu ciclo circadiano (ciclo do sono).


3. Estabelecer horários regulares para dormir também é bastante importante.

Lembre-se de que este horário deve ser mantido mesmo nos finais de semana. Utilize parâmetros viáveis, para que a rotina se estabeleça de forma consistente; é preferível que você determine que 23h é uma boa hora para dormir e 9h uma boa hora para acordar do que estabelecer horários mais “difíceis” que não se concretizem.


4. Se você tem insônia à noite, recomenda-se evitar tirar qualquer forma de cochilo ao longo do dia. Depois que o sono estiver normal, não há problemas em tirar cochilos breves.

5. Busque ter exposição à luz solar logo após se levantar e ao final da tarde.

Para mais dicas, acesse o Guia Prático de Saúde Mental em tempos de Covid-19.

O Instituto Ame Sua Mente incentiva conversas mais abertas sobre o tema da saúde mental. Uma em cada quatro pessoas experimenta problemas de saúde mental e falar sobre o assunto ajuda a quebrar o estigma e a discriminação que muitas pessoas ainda enfrentam - facilitando que todos se beneficiem do apoio das pessoas ao seu redor. Cuide da sua saúde mental e cuide dos seus.


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Nossa equipe faz curadoria do que é publicado com o monitoramento de fontes confiáveis. O texto é de responsabilidade do autor. Leia aqui a matéria completa de Hugo Perruso para o Dia.
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