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O equilíbrio possível


No meio de tantas notícias difíceis, já faz tempo que você não escuta a minha voz. Tanto que você nem me reconheceu, né?

Aqui quem fala é a esperança.

Eu sei, olhando em volta pode parecer que eu estive meio ausente. De uma semana para a outra a rotina do mundo inteiro mudou. O escritório virou a sala, a rua virou a varanda, os encontros viraram telas, os abraços... Bom, esses estão suspensos por um tempo.

Eu vim te lembrar de cuidar do corpo, da mente e da alma.

Entre a pandemia e a quarentena, é impossível evitar sentimentos como o medo, a preocupação, a tensão e o nervosismo... Eu sei que é difícil ser positivo nessas horas.

Por isso, eu vim aqui te dar um conselho: tente buscar o equilíbrio possível.

Tá tudo bem sentir medo. A gente nunca passou por isso antes.

Tá tudo bem ficar nervoso. É difícil prever o que vai acontecer no futuro.

Então, até lá, tente cuidar da sua saúde, dormir direito, lembre-se de tomar sol, tente estabelecer rotinas, manter seus tratamentos, tente ajudar quem precisa e olha... não tenha vergonha de pedir ajuda quando precisar.

Mas não esqueça que cuidar de todo mundo, inclui cuidar de si.

Nós vamos errar. E vamos seguir juntos, em frente, cuidando uns dos outros.

Não vai ser simples, mas vai passar.

Acredita em mim.

Vai passar.


Em um tempo de tantas incertezas está na hora de voltarmos a ouvir a voz que nunca deixou de nos acompanhar: a esperança. Este vídeo, em que a esperança ganha vida com narração da apresentadora Angélica, foi produzido a partir deste artigo (em inglês) com tradução logo abaixo, é assinado pelo Dr. Rodrigo Bressan (fundador do Instituto Ame Sua Mente), Dr. Eduardo Iacoponi e Dr. Jorge Cândido de Assis, originalmente publicado no British Medical Journal (The BMJ).

A esperança é uma ferramenta terapêutica


Não tenha medo de usá-la


Todos que foram pacientes ou acompanharam um familiar a uma consulta médica, reconhecem a importância da relação médico/paciente. Basicamente, existe a necessidade do paciente de entender o que está errado, de ser entendido e de receber esperança. Embora seja senso comum que a esperança é um elemento fundamental para superar qualquer doença, o papel do médico em incentivar a esperança foi enquadrado como um dos elementos distintivos da "arte da medicina”, baseando-se na experiência e no instinto pessoais. Contudo, a esperança é de fato uma ferramenta terapêutica prática que pode ser otimizada como qualquer outra abordagem.

Apesar da considerável atenção dada à relação médico/paciente durante a formação médica, a esperança tem sido tradicionalmente negligenciada. Muitos médicos ainda não têm uma ideia clara de como usar a esperança como terapia e ao mesmo tempo serem realistas e sinceros sobre a incerteza e potencial de resultados. O treinamento de comunicação nos diz para evitar dizer: "Você vai melhorar", porque raramente existe essa certeza e, no caso de resultados ruins, as expectativas frustradas desgastam a confiança.

Os médicos ficam apreensivos em criar falsas expectativas e podem acabar ignorando completamente a questão da esperança. Isso é particularmente desafiador para aqueles que cuidam de pacientes com doenças crônicas e progressivas - tememos parecer incompetentes quando não temos tratamentos curativos para oferecer. Esperança versus otimismo Ao enfrentar essas dificuldades, é importante diferenciar esperança do otimismo. Otimismo é a confiança de um indivíduo em um bom resultado, enquanto a esperança é uma maneira de pensar orientada a objetivos que faz com que um indivíduo invista tempo e energia no planejamento de como alcançar seus resultados. Consiste em dois componentes interativos: em primeiro lugar, caminhos ou rotas para alcançar os objetivos desejados e, em segundo lugar, a intenção e a persistência da meta do indivíduo. Por exemplo, uma pessoa otimista com asma esperaria por poucas crises e não carregaria seu inalador, enquanto uma pessoa esperançosa buscaria bons resultados, mas ainda garantiria que seu inalador estivesse disponível, se necessário.

Um estudo, usando a escala de esperança infantil, mostrou que a esperança era um poderoso prognosticador de adesão ao tratamento da asma em crianças - medido pelo monitoramento eletrônico do uso de seu inalador.


Outro estudo mais recente acompanhou jovens (de 10 a 16 anos) com diabetes tipo 1 durante seis meses para explorar as associações entre a esperança e o otimismo dos pacientes e a adesão ao tratamento. Os autores descobriram que a mudança na esperança foi um preditor significativo de melhora no controle glicêmico e no auto-monitoramento dos níveis de glicose no sangue.


Explicação biológica Os benefícios terapêuticos são biologicamente plausíveis se a esperança for vista como um tipo de efeito placebo. Sabemos que os placebos às vezes estão associados a benefícios terapêuticos em várias doenças. O tamanho dos efeitos podem ser grandes, como observado em estudos sobre controle da dor e doença de Parkinson. Estudos usando tomografia por emissão de pósitrons e ressonância magnética funcional (RM) sugerem que os placebos estão associados a uma mudança nos níveis de neurotransmissores e à ativação de regiões do cérebro envolvidas em recompensa e atenção.


Foi demonstrado que a esperança tem efeito protetor contra a ansiedade, e um estudo recente com 231 adolescentes relatou que a esperança também permeia a associação entre ansiedade e atividade no córtex orbitofrontal. Essa parte do córtex ajuda na motivação, na solução de problemas e nos comportamentos direcionados a objetivos - funções cerebrais relevantes da esperança.


Os médicos podem influenciar a esperança de um paciente? Há evidências preliminares de que uma intervenção, baseada na esperança, pode ser eficaz no tratamento da dor. No entanto, os médicos geralmente acreditam que os pacientes esperam melhorias ou curas substanciais e nem sempre vêem a capacidade do paciente de processar a incapacidade e adaptar suas metas de tratamento. Isso é evidente no tratamento da esquizofrenia, por exemplo. Enquanto os psiquiatras estão preocupados com a redução dos sintomas, a perspectiva do paciente está em alcançar a independência e manter a esperança. Incentivar a esperança significa negociar uma compreensão clara dos objetivos do tratamento por meio do diálogo, da compreensão mútua e de um processo de ajuste e aceitação.

A esperança pode ser um dos aspectos terapêuticos mais poderosos da relação médico/paciente. Enquadrar o conceito como parte da arte da medicina corre o risco de torná-lo intangível e potencialmente inatingível. Compreender que a esperança é uma construção psicológica mensurável, associada a um mecanismo neurobiológico plausível e benefícios clínicos, deve ajudar médicos priorizar as habilidades necessárias e esperança utilização para o seu pleno potencial em todos os encontros clínicos.

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