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Melancolia, depressão e as festas de fim de ano: o que se sabe sobre elas?

Atualizado: Jan 10

Para algumas pessoas as festas de fim de ano são sinônimo de confraternização, celebração, além de serem um motivo a mais para estar junto dos amigos e da família. Para outras, no entanto, o fim de ano tem um outro significado. Embora muita gente associe essa época à felicidade, ela também pode ser um período de solidão, reflexões dolorosas, tristeza, ansiedade e depressão.


Segundo pesquisa realizada pela National Alliance on Mental Illness (NAMI), 64% das pessoas que sofrem com questões de saúde mental afirmam que as festas de final de ano agravam os sintomas. Na pesquisa, 24% dos entrevistados que possuem um transtorno mental diagnosticado afirmam que costumam se sentir muito piores durante essa época. Para 40% dos entrevistados, no entanto, as festas de final de ano pioram os sintomas, mas de forma leve ou moderada.


No post de hoje, vamos falar o que se sabe sobre a melancolia e a depressão nas festas de final de ano e como cuidar da sua saúde mental nessa época.


Melancolia de final de ano ou depressão?

Embora já existam dados indicando que as festas de final de ano agravam os sentimentos de melancolia de algumas pessoas e podem acentuar os sintomas de quem tem depressão ou sofre com a ansiedade, psiquiatras e psicólogos não tratam a melancolia de final de ano ou a depressão de final de ano como transtornos específicos.


Segundo a American Psychological Association fatores como a acúmulo de tarefas no trabalho, pressão para realizar reuniões e confraternizações, organização das férias, falta de dinheiro e consumismo impactam o equilíbrio psicológico e o comportamento de qualquer um. No caso de quem perdeu um familiar, amigo querido, ou mesmo um animal de estimação, as festas de fim de ano podem ser particularmente difíceis em razão do profundo sentimento de ausência.


Mas, independentemente de algumas pessoas serem menos ou mais suscetíveis nessa época, é preciso estar atento a alguns sinais de alerta. Mudanças no apetite, perda ou ganho rápido de peso, alteração nos padrões de sono, dificuldade de concentração, sentimentos de inutilidade ou culpa, cansaço excessivo, tensão, preocupação e ansiedade são alguns dos indicadores de que algo não vai bem. Caso eles se prolonguem por algum tempo, ou seja, ultrapassem o período das festas de fim de ano, é importante conversar com um profissional e buscar auxílio.


Por que essa tristeza agora?

Embora as festas de fim de ano sejam associadas a momentos de animação, está tudo bem não estar bem. Até porque, existem diversos motivos que tornam essa época bastante propícia para o surgimento de sentimentos como a tristeza e a melancolia, já que mudamos a rotina e acabamos expostos a uma pressão enorme para finalizar tudo antes do ano acabar. Por isso é importante ficar atento à rotina e buscar o equilíbrio, mesmo com a correria.


Para quem sofre de transtornos como ansiedade e depressão, vale a pena prestar a atenção em alguns fatores que podem ajudar a equilibrar nossa saúde mental, tais como:


Durma bem

No fim do ano, todos nós ficamos com uma agenda agitada. Por isso, muita gente acaba negligenciando uma boa noite de sono. Dormir é essencial para o equilíbrio do nosso corpo e da nossa mente, já que auxilia na administração do estresse diário e também diminui os níveis de ansiedade. Para quem anda muito ansioso ou se sentindo mais deprimido é bom se acolher e respeitar uma boa rotina de sono.


Evite excessos na alimentação e no álcool

Muita gente exagera na bebida e na comida durante as festas de final de ano. O excesso, em alguns casos, acontece simplesmente pela abundância de alimentos, que é comum em qualquer tipo de celebração. Contudo, ele também pode ser uma espécie de mecanismo de defesa. Para algumas pessoas, comer e beber é uma forma de fugir da tristeza e sentimentos desconfortáveis. Assim, vale a pena se observar com relação a alimentação e ficar atento sobre como estamos nos relacionando com a comida e principalmente com o álcool durante essa época.


Programe-se financeiramente durante o ano

O estresse financeiro também é algo que acentua sensações como impotência e frustração. Nessa época do ano, muita gente se sente obrigada a presentear amigos e familiares, outras gostariam de fazer uma viagem de férias, mas o orçamento está apertado. Situações como essa geram bastante estresse e podem afetar nossa saúde mental.


Para quem chegou ao final do ano com o orçamento apertado, vale a pena uma reflexão e um planejamento para o ano seguinte. Em vez de se culpar ou se sentir frustrado, que tal buscar formas de adequar o orçamento para o próximo ano? Além de cortar despesas e mudar alguns hábitos, vale a pena colocar tudo no papel para organizar as finanças.


Fique atento ao isolamento e a solidão

Nem todas as pessoas conseguem passar as festas de final de ano com a família e os amigos. Alguns estão longe, moram em cidades ou países diferentes, por exemplo. Outras lidam com a ausência de um ente querido. Nesses casos, é quase inevitável lidar com o sentimento de solidão e isolamento. Como a pandemia já nos mostrou, que a convivência e o contato social são especialmente importantes para a nossa saúde mental, por isso é importante diminuir as distâncias e evitar o isolamento. Para quem não pode passar com a família, que tal buscar os amigos mais próximos? Para quem perdeu entes queridos, que tal celebrar os momentos alegres que viveram? O isolamento e a solidão podem ampliar a dor, por isso conversar com alguém sobre como está se sentindo é uma boa maneira de lidar melhor com sentimentos complexos e difíceis.


Estabelecendo expectativas realistas

Muita gente passou o ano todo trabalhando em cima de metas que nem sempre foram concretizadas. Com a chegada do final do ano, o sentimento de frustração por não ter feito aquilo que gostaria pode pesar, trazendo tristeza e estresse. Além disso, a pressão por estar feliz nas festas de final de ano pode se tornar um fator ainda mais nocivo, acentuando essa sensação de que “esse ano nada deu certo”. É importante colocar as coisas em perspectiva e analisar qual é a história que contamos para nós mesmos diante das nossas frustrações. Muitas vezes, vale a pena rever as metas e realmente refletir se elas foram realistas.


Em busca do equilíbrio

As festas de fim de ano podem ser um período particularmente desafiador para muitas pessoas. Para não comprometer a nossa saúde mental, o melhor caminho é buscar se escutar e ser amoroso consigo mesmo, respeitando os próprios limites. Aceitar que não precisamos estar felizes e podemos dar espaço para a nossa tristeza é tão importante quanto celebrar o fim de mais um ano.


Cuidar da nossa saúde mental envolve diferentes aspectos da nossa vida. Assim, mesmo quando a agenda está apertada e temos pressa de cumprir todas as nossas promessas antes do ano acabar, vale a pena desacelerar, priorizando equilíbrio e o bem-estar.


Que tal utilizar a escrita para entrar em contato consigo e seus sentimentos no final do ano? No blog, falamos como a escrita pode ser uma ótima ferramenta para lidar com a saúde mental. Confira!


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