Buscar
  • institutoamesuamente

Estudo mostra como o coronavírus afeta a saúde mental da comunidade LGBTQI+

Atualizado: Jun 4


Não bastassem o peso do estigma e preconceito já vivenciados pelas LGBTQI+, os impactos do novo coronavírus submetem essa parcela da população a novos obstáculos. O isolamento social, que impacta a sociedade como um todo, tem gerado repercussões ainda mais agudas entre lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. É o que revela uma pesquisa inédita sobre os impactos e especificidades da pandemia e afastamento social nesta população, historicamente mais exposto a vulnerabilidades.


Com a participação de pesquisadores da UFMG e Unicamp, o levantamento consultou mais de 10 mil pessoas em todos os estados da Federação. Os entrevistados apresentam maiores índices de desemprego e problemas de saúde mental se comparados ao restante da população. Igualmente preocupantes são os dados coletados sobre tensões no convívio familiar durante a pandemia. A pesquisa também avaliou o desempenho do presidente da República e governadores no combate do coronavírus.


Segundo os entrevistados, lidar com problemas de saúde mental durante o isolamento social é a maior preocupação. Foi esse o maior temor registrado entre 44% das lésbicas; 34% dos gays; 47% das pessoas bissexuais e pansexuais; e 42% das transexuais. Os LGBTQI+ já conviviam com esses males em maior frequência do que as demais pessoas. Segundo os dados apresentados pela Associação Americana de Psiquiatria, esse grupo populacional tem mais que o dobro de chances de apresentarem alguma condição de saúde mental durante a vida, quando comparados a seus pares não-LGBTQI+.


O estudo do #VoteLGBT revelou que 28% dos entrevistados já receberam diagnóstico prévio de depressão. A marca é quase quatro vezes maior do registrado entre a população brasileira, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (2013).


As taxas de depressão entre pessoas LGBTQI+ são mais elevadas do que na população geral devido ao estigma social e ao preconceito vivenciado por nós, LGBTQI+, ao longo da vida. Nesse momento de pandemia, essas questões são extremamente importantes pois afetam diretamente a capacidade de se prevenir do contágio e de buscar tratamento em caso de infecção pelo novo coronavírus”, avalia o demógrafo da UFMG Samuel Silva, um dos pesquisadores envolvidos no trabalho.


Leia também: O impacto do racismo na saúde mental da população negra


Problemas no convívio familiar foram citados como maior dificuldade durante o isolamento social por 10% dos LGBTQI+. Desses, um em cada dois estão na faixa etária entre 15 e 24 anos, o que demonstra algumas das dificuldades enfrentadas pelos jovens em seu próprio ambiente residencial. Adequação às novas regras de convívio social são o segundo fator de maior preocupação entre gays (19%) e lésbicas (14%).


O fator financeiro também impacta diretamente essa população, pois 20,7% dos entrevistados disseram não possuir renda. Outro dado preocupante é que 21,6% dos LGBTQI+ informaram estar desempregados, enquanto o índice entre o restante da população é de 12,2%, segundo a pesquisa PNAD Contínua divulgada pelo IBGE em abril.


A taxa de desemprego entre LGBTQI+ tende a ser mais elevada que da população em geral, pois a inserção no mercado trabalho formal é dificultada por diversos fatores, entre eles o preconceito”, justifica a demógrafa Fernanda De Lena, pesquisadora da Unicamp que também atua na pesquisa.


PESQUISA COMPLETA


A pesquisa foi formada por um questionário com diversas perguntas objetivas sobre temas como acesso a serviços de saúde; questões sócio-demográficas; emprego, trabalho e renda; percepção e impactos do coronavírus; acesso à informação e avaliação da atuação dos gestores públicos durante a pandemia. A participação dos respondentes foi totalmente anônima. A divulgação completa dos dados levantados pela pesquisa será feita dia 28 de junho, data do aniversário da revolta de Stonewall, marco histórico da luta pelos direitos LGBTQI+s.


O coletivo #VoteLGBT espera que o levantamento possa contribuir para a formulação e aprimoramento de políticas públicas direcionadas à população LGBTQI+ nos níveis municipais, estaduais e federal.


VULNERABILIDADE DOS LGBTS DURANTE A COVID-19


As conclusões dessa pesquisa corroboram estudos e levantamentos anteriores realizados em vários países, que destacavam maior vulnerabilidade da população LGBTQI+ em tempos de pandemia como a que vivemos atualmente.


Em abril, a ONU já havia solicitado aos países que protejam as pessoas LGBTQI+ contra a discriminação, em especial, as que procuram assistência médica. “As pessoas LGBTQI+ estão entre as mais vulneráveis e marginalizadas em muitas sociedades e entre as que estão mais em risco com o Covid-19”, escreveu a Alta Comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em comunicado.


Se você ou algum conhecido sente que está ansioso e precisa de apoio lidar com algum sentimento, o psicólogo é profissional indicado para ajudar a lidar com estas e outras situações. A saúde mental é uma parte integrante da saúde; na verdade, não há saúde sem saúde mental: #AmeSuaMente.

Acompanhe nossas redes, estamos no Instagram e no Linkedin. Faça parte desse movimento e use a hashtag #AmeSuaMente.




43 visualizações

Instituto Ame Sua Mente

Rua Marselhesa, 642

Vila Mariana, São Paulo, SP
CEP: 04020-060

©2019 por Ame sua mente. Criado com Wix.com